Meritocracia em um país desigual - Mariana Holanda

Meritocracia em um país desigual

Após estudar sobre meritocracia, confesso que esse título do artigo me deixou até zonza, tipo o gif da Nazareth fazendo as contas, sabe?!

De tempos em tempos, vemos casos incríveis, histórias de superação de pessoas que saem de condições muito pouco promissoras e conquistam posições consideradas de sucesso.

O fato é: a desigualdade que vivemos em nosso país é sistêmica, estrutural, mas não é absoluta.

“É sempre possível para as pessoas — ou por serem excepcionalmente talentosas ou por serem excepcionalmente sortudas — sair da armadilha, partir de circunstâncias modestas e chegar a conquistas gigantes. Mas a política social tem que ser feita para pessoas comuns, não para pessoas excepcionais”, diz sabiamente Daniel Markovits.

Já parou para pensar que trabalhadores supostamente menos qualificados – garis, professores, assistentes sociais, enfermeiros são alguns exemplos – produzem benefícios sociais muito maiores que seus salários?!

Outro fato é que nessa dinâmica meritocrática, até quem tem o privilégio acaba entrando em um mecanismo de (auto) exploração. A “elite” pode até continuar financeiramente rica, mas certamente não tem uma vida divertida, saudável, significativa ou cheia de bem-estar. Não é à toa que vemos boa parte das lideranças colapsando, movimentos como a Grande Resignação, ou uma geração Z que chega ao mercado com grandes problemas psicológicos, sabendo que suas vantagens custam a exclusão de outras pessoas. 

Na verdade, se olharmos no detalhe, essa é uma corrida destrutiva e prejudicial para todas as pessoas, independente de sua escala social.

Líderes, Empresas, CPFs que lideram CNPJs, antes de baterem no peito, defenderem e valorizarem o sistema meritocrático, estudem, se deem ao luxo de aprenderem o quão desconectada essa crença é. Como diz perfeitamente Markovits:

“Enquanto gerações anteriores queriam se tornar a estrutura de poder, os jovens de hoje querem desfazer a estrutura de poder (…) E o que as ações afirmativas dentro das empresas fazem é um pequeno passo para responder a séculos de uma brutal injustiça racial.”

E de gênero.

Pra terminar esse artigo provocativo trago mais um fato nessa história: a meritocracia está completamente fora de moda.

Compartilhe esse post

Sobre mim

Há mais de 12 anos atuo na área de Gente, Gestão e Desenvolvimento de Pessoas e Lideranças. Tenho graduação em Psicologia, MBA em Gestão Empresarial, me formei como facilitadora internacional de Segurança Psicológica de Times, e como Conselheira Empresarial.

Entre em contato

Gostou do que leu? Quer saber mais? Entre em contato comigo agora mesmo para conversarmos sobre a necessidade de sua empresa. Envie-me uma mensagem e vamos começar essa jornada de transformação juntos!

    Assessoria de Imprensa: Xanndi Poletto | (11) 9 39322834 – alexandre@exclame.cc

    © Copyright 2024 | Mariana Holanda | Todos os direitos reservados