Após estudar sobre meritocracia, confesso que esse título do artigo me deixou até zonza, tipo o gif da Nazareth fazendo as contas, sabe?!

De tempos em tempos, vemos casos incríveis, histórias de superação de pessoas que saem de condições muito pouco promissoras e conquistam posições consideradas de sucesso.
O fato é: a desigualdade que vivemos em nosso país é sistêmica, estrutural, mas não é absoluta.
“É sempre possível para as pessoas — ou por serem excepcionalmente talentosas ou por serem excepcionalmente sortudas — sair da armadilha, partir de circunstâncias modestas e chegar a conquistas gigantes. Mas a política social tem que ser feita para pessoas comuns, não para pessoas excepcionais”, diz sabiamente Daniel Markovits.
Já parou para pensar que trabalhadores supostamente menos qualificados – garis, professores, assistentes sociais, enfermeiros são alguns exemplos – produzem benefícios sociais muito maiores que seus salários?!
Outro fato é que nessa dinâmica meritocrática, até quem tem o privilégio acaba entrando em um mecanismo de (auto) exploração. A “elite” pode até continuar financeiramente rica, mas certamente não tem uma vida divertida, saudável, significativa ou cheia de bem-estar. Não é à toa que vemos boa parte das lideranças colapsando, movimentos como a Grande Resignação, ou uma geração Z que chega ao mercado com grandes problemas psicológicos, sabendo que suas vantagens custam a exclusão de outras pessoas.
Na verdade, se olharmos no detalhe, essa é uma corrida destrutiva e prejudicial para todas as pessoas, independente de sua escala social.
Líderes, Empresas, CPFs que lideram CNPJs, antes de baterem no peito, defenderem e valorizarem o sistema meritocrático, estudem, se deem ao luxo de aprenderem o quão desconectada essa crença é. Como diz perfeitamente Markovits:
“Enquanto gerações anteriores queriam se tornar a estrutura de poder, os jovens de hoje querem desfazer a estrutura de poder (…) E o que as ações afirmativas dentro das empresas fazem é um pequeno passo para responder a séculos de uma brutal injustiça racial.”
E de gênero.
Pra terminar esse artigo provocativo trago mais um fato nessa história: a meritocracia está completamente fora de moda.